O DIÁCONO E OS DESAFIOS DA IGREJA ATUAL
Para que o diácono esteja pronto para enfrentar os desafios da igreja nos dias de hoje, ele precisa estar fortalecido espiritualmente.
E isso só é possível quando se vive os princípios básicos do cristianismo.
Nós já falamos de três:
Servir no poder do Espírito
Crescer em meio aos conflitos
Abrir mão do seu direito
Agora, vamos seguir com mais princípios importantes para quem deseja se tornar o líder que Deus espera.
4º Princípio – Viver na Luz
“Se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Seu Filho Jesus nos purifica de todo o pecado.”
(1 João 1:7)
O diácono não pode viver isolado ou escondido.
Ele deve caminhar na luz da revelação divina, tanto nos relacionamentos com Deus quanto com as pessoas.
Como líder espiritual, deve viver com transparência diante dos que lidera.
Quem quer chamar alguém à luz de Deus precisa primeiro estar nela.
Diáconos que andam na luz fortalecem seus relacionamentos e sua autoridade diante do povo.
Seja transparente.
5º Princípio – Reconhecer seus erros
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.”
(1 João 1:9)
Em Cristo, sabemos que somos falhos por natureza — em atitudes, motivos e ações.
Por isso, dependemos da eterna graça de Deus.
Mesmo sem pecar intencionalmente o tempo todo, reconhecemos que temos defeitos e que, ao admitir nossos erros, recebemos a graça.
Nunca ignore seus erros.
Avalie sua vida diante do Senhor com humildade.
O diácono deve estar sempre pronto para dizer:
“Eu errei.”
6º Princípio – Perdão unilateral
Perdoar antes que lhe peçam perdão
“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
(Lucas 23:34)
Na cruz, Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes.”
Ninguém havia pedido perdão, mas Ele perdoou mesmo assim.
Esse é o perdão unilateral — e todo fiel deve praticá-lo.
É trágico ver líderes guardando mágoas, esperando provas de arrependimento dos outros.
O ambiente se torna pesado.
As pessoas se afastam.
E o tempo passa com corações presos.
Mas perdoar, mesmo sem ser pedido, liberta o coração do diácono e o torna mais útil na administração do amor e da verdade, até mesmo com quem errou.
Há muitos princípios valiosos.
Mas, se os diáconos viverem apenas esses seis com sinceridade, a obra de Deus terá um impacto poderoso.
QUAIS AS ATRIBUIÇÕES DO DIÁCONO?
O que ele faz?
Como vimos, o trabalho do diácono aparece muitas vezes no Novo Testamento.
Porém, possivelmente a imagem mais clara do trabalho de um diácono vem de Atos 6.
“Naqueles dias, à medida que o número dos discípulos se multiplicava, surgiu uma denúncia pelos judeus helenistas contra os judeus hebraicos, porque suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária.
Então, os Doze convocaram toda a comunidade dos discípulos e disseram: ‘Não é razoável que abandonemos a pregação da palavra de Deus para servir às mesas.
Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.’
A proposta agradou a toda a comunidade.
E eles escolheram Estêvão, um homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.
Assim, crescia a palavra de Deus, o número dos discípulos em Jerusalém se multiplicou muito, e também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.”
(Atos 6:1–7)
a) Cuidar das necessidades físicas da igreja
Os apóstolos caracterizaram esse serviço como “servir às mesas”, literalmente, “diaconizar mesas.”
Esses diáconos provavelmente organizaram e facilitaram o trabalho de outros membros da igreja para garantir que as viúvas fossem atendidas.
Afinal, a igreja de Jerusalém tinha milhares de membros.
Cuidar das pessoas, especialmente dos membros da igreja, é importante por três razões:
Serve ao bem-estar físico;
Serve ao bem-estar espiritual;
Serve como testemunho para o mundo fora da igreja.
Lembre-se das palavras de Jesus:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
(João 13:35)
b) Trabalhar pela unidade do corpo
Por trás desse primeiro propósito em favor das pessoas necessitadas, vemos em Atos 6 um propósito maior em favor do corpo como um todo:
os diáconos trabalham pela unidade da igreja.
Eles deveriam fazer a distribuição de alimentos entre as viúvas de forma mais igualitária.
Mas por que isso era importante?
Porque essa negligência física estava causando desunião espiritual no corpo.
Eles queriam impedir que a unidade da igreja fosse rompida, especialmente por causa de divisões étnicas tradicionais.
Os diáconos foram nomeados para impedir a desunião na igreja.
As práticas para a escolha e o comportamento dos diáconos destacam que eles não devem ser pessoas insatisfeitas, queixosas ou causadoras de conflitos.
Pelo contrário, devem ser prudentes no falar e promotores da paz.
Diáconos despreparados, mesquinhos ou possessivos quanto à sua área de atuação não são ideais.
A expectativa é que sirvam com uma visão ampla, cuidando de toda a igreja e não apenas de seus próprios interesses.
Devem agir com espírito coletivo, buscando o bem comum, sem impor peso aos outros como defensores de causas pessoais.
c) Apoiar o Ministério da Palavra
Embora o cuidado com as necessidades físicas seja responsabilidade de toda a igreja, os apóstolos optaram por delegá-lo aos diáconos para poderem se dedicar plenamente à oração e ao ensino da Palavra.
Os diáconos, portanto, são servos que atuam de forma prática em favor da comunidade, permitindo que os líderes espirituais cumpram sua missão sem distrações.
Eles não apenas aliviam a carga dos mestres, mas também os apoiam e fortalecem em seu ministério.
Por isso, é fundamental que os diáconos reconheçam e valorizem a centralidade da pregação e do ensino.
Devem ser pessoas comprometidas em proteger e sustentar esse ministério.
Mais amplamente, a igreja deve buscar, para o diaconato, pessoas com espírito de serviço e dons de encorajamento, que contribuam para a edificação do corpo como um todo.
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