Entrevista do SVN sobre Chamado e Pregação da Palavra (Seminarista Daniel Vicente)
Data: 27-11-2025
a) Chamado e convicção: Como o senhor percebeu o chamado de Deus para o ministério da pregação e o que o motiva a continuar pregando hoje?
R.: Identifiquei o meu chamado para pastorear no meio da caminhada cristã. Após minha conversão, coloquei-me à disposição de Deus para a obra e, por isso, me envolvi com a Igreja sem restrição e então, no decorrer do serviço a Deus, ouvi a voz do Espírito Santo me chamando... houve vários momentos que a voz de Deus foi desenhando o meu chamado durante a trajetória... vou passar alguns:
1° Estávamos num culto na Igreja e havia ali um grande mover de Deus, quando miraculosamente eu ouvi: "vá a 2 Crônicas 29.11", quando abri a Bíblia, comecei a chorar copiosamente sem estar emocionado, creio que foi um choro produzido pelo Espírito Santo, e entendi ali, pela primeira vez, que Deus me queria envolvido com a "obra do ministério."
2° Eu estava numa reunião de jovens no monte (inclusive seu pai Márcio Vicente era o líder da Juventude nessa época), e a direção foi que fizéssemos uma roda (tinha cerca de 40 jovens naquela reunião, somente os meninos) e orássemos cada um de uma vez: assim fizemos. Ao término daquelas orações, um homem saiu de dentro do mato e perguntou ao Dc. Márcio Vicente se acreditávamos em profecia e o Márcio falou: "pode falar irmão, cremos sim..." Então, aquele homem, um jovem ainda mandou que os jovens abrissem um corredor, e ao abrirem eu fiquei sozinho no final desse corredor, e ele disse: "você jovem!" Logo eu olhei para o lado e disse "Eu?" "É você mesmo!" Aquele jovem soltou uma palavra profética:
"Jovem de casaco preto, quando você orava, o Senhor me mostrava algumas coisas a seu respeito:"
"Primeiro, você pregando para uma grande multidão."
"Segundo, eu vi muitas malas ao seu redor."
"E terceiro, eu vi uma escada muito grande e você subia o primeiro degrau."
Ele completou dizendo que não tinha a revelação do que Deus o tinha mostrado, mas que o Senhor ia me revelar ao longo da caminhada...
Confesso para você que essa profecia tem sido desenrolada ao longo dos anos em minha vida e ministério... uma parte dela já se cumpriu e outra já está se cumprindo nesses dias...
3° Vários pastores do Projeto Vida Nova (os pastores Agnaldo e Levi Rodrigues foram os principais) e de outras denominações foram usados para dizer para mim que eu tinha chamado pastoral, inclusive vários Fap's do Seminário Vida Nova!
4° Minha liderança de quase 10 anos no Ministério dos Adolescentes (Adcal Psv) foi fundamental para a identificação do meu chamado e propósito, pois ali acontecia o verdadeiro pastoreio... e também naquele tempo, muitos resultados consistentes e confirmados pelo Senhor nos foram dados: salvação em massa, curas milagrosas (inclusive de câncer), vários batismos no Espírito Santo, grandes eventos que produzimos, enfim foi uma escola e ponto principal para identificação do meu propósito de vida!!
5° Essa foi crucial: uma vez saí de casa para ir à igreja num domingo pela manhã para orar e fui convicto que iria ouvir a voz de Deus. Ao chegar na oração, o pastor falou para andarmos pela igreja orando, então eu me dirigi a um canto do templo e no meu interior comecei a clamar a Deus perguntando a Ele se queria que eu me envolvesse no ministério... aí ouvi a voz inconfundível e que não traz confusão: "Eu quero que você se envolva, pode mergulhar nesse chamado!" Uau que confirmação final! A partir desse dia me disponibilizei para Deus e, passado algum tempo, o Pastor me chamou para me dizer que iria me apresentar ao período probatório. Depois disso, "caí de cabeça" nessa chamada e, graças a Deus, posso dizer que prosperei!!
Para concluir, o que mais me motiva é atender à chamada do Espírito Santo e ver a transformação na vida das pessoas... ver a mudança de mentalidade do povo e os resultados em suas vidas não tem preço!
b) Finalidade da pregação: Na sua visão, qual é o propósito central da pregação cristã dentro do culto e da vida da igreja?
R.: Creio que a pregação da palavra é o "veículo" que o Espírito Santo usa para chegar às vidas das pessoas e transformá-las!
"Vós já estais limpos pela palavra que vos falei" (João 15.3).
c) Processo de preparação: Como o senhor costuma se preparar para uma pregação? (Inclua aqui como escolhe o tema/texto, o tempo médio de preparo e as etapas do processo.)
R.: Dependendo do cenário, procuro usar a maior quantidade de tempo possível no preparo; quando não dá tanto tempo, procuro usar o meu "depósito de informações".
Procuro escolher o tema de acordo com aquilo que ouço o Espírito Santo soprar no meu espírito... procuro alinhar com a necessidade da Igreja, gerando uma sinergia entre todas as coisas!
Etapas: Oração, Palavra, Jejum, necessidades e ficar atento ao que o Senhor quiser vir e falar pessoalmente!
"Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada." (1 Timóteo 4.4-5).
d) Fontes e bibliografia: quais são suas principais fontes de estudo e referências (comentários, livros, autores, teólogos, sites, etc.) para preparar um sermão?
R.: Quando se trata de uma mensagem, ou pregação de domingo, não gosto muito de usar materiais com opiniões de autores, pois prefiro ficar com a voz do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Procuro ouvir Deus e confirmar pela Palavra da Bíblia e seus vários textos bíblicos que corroboram com a mensagem pregada (geralmente uso muitos textos para confirmar as minhas afirmativas). Penso que assim a mensagem fica mais autêntica, a Bíblia pela Bíblia (isso não significa que nunca usei ou usarei algum tipo de material). Geralmente uso alguns comentários e dicionários que possuo, mas o principal material que uso é o Biblehub (dicionário, concordância, comentários, online, muito completo, porém é em inglês, hebraico e grego).
e) Modelos de sermão: qual modelo de sermão o senhor mais utiliza — expositivo, temático ou textual — e por quê?
R.: Uso muito mais o sermão expositivo. Tenho usado de vez em quando o sermão temático e outro que você não citou nas perguntas, que é o biográfico (gosto muito desse modelo de sermão).
Uso mais o expositivo porque penso ser mais completo e procuro sempre ler bastante Bíblia, explico muito (porque é uma característica minha) e sempre tento levar a Igreja a aplicar a palavra pregada!
"E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos." (Tiago 1.22).
f) Estilo pessoal: Como o senhor descreveria seu estilo de pregação (mais doutrinário, pastoral, inspirativo, exortativo, narrativo, etc.)? Há alguém que influenciou ou inspira esse estilo?
R.: Meu estilo, com certeza, vai mais para o lado pastoral; em segundo lugar, julgo ser mais exortativo e, em terceiro, um pouco mais doutrinário.
Não há nenhum preletor ou pastor que tenha me influenciado; esse estilo foi produzido em mim de acordo com as minhas características mesmo, sendo assim, creio que veio do Senhor!
g) Dependência espiritual: de que maneira o senhor busca a direção e a unção do Espírito Santo durante o preparo e a entrega da mensagem?
R.: Busco sempre a direção de Deus e a manifestação da unção do Espírito Santo através do devocional completo (Leitura da Palavra, Oração e Jejum). Para mim, não há pregação sem unção e sem preparo pelo devocional!
"E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas." (1 João 2.20).
h) Desafios e aprendizados: quais têm sido os maiores desafios que o senhor enfrenta ao pregar a Palavra de Deus e o que aprendeu com eles?
R.: O meu maior desafio é o tempo; por incrível que pareça, mas esse tem sido o maior desafio mesmo, sendo pastor em tempo integral. Quando você somente tem a responsabilidade de pregar, acredito que seja mais tranquilo; agora, quando você tem a responsabilidade com uma igreja, é necessário administrar bem o tempo (imagina sendo pastor de duas igrejas e sendo pastor regional?). Fora os desafios de cuidar da sua família (esposa e filhos)... enfim, demanda gestão de tempo!
Tenho aprendido com o desafio do tempo que Deus é o dono do tempo e que Ele provê tempo para fazermos todas as coisas que Ele quer que façamos! Tenho aprendido a fazer a minha agenda de acordo com a "agenda do Cordeiro" e não com a agenda do mundo! Separar tempo para orar e jejuar é fundamental e não pode faltar.
"Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza." (2 Coríntios 11.27-30).
i) Relevância e aplicação: como o senhor procura conectar a mensagem bíblica à realidade e às necessidades da congregação atual?
R.: Procuro sempre contextualizar a mensagem, tendo em vista levar minhas igrejas a pensarem e praticarem os princípios ensinados pela pregação! Tento trazer para os dias atuais, interpretando o texto para os nossos dias, sem que ele perca a essência e o sentido... isso também é um desafio grande, mas, contando com a graça de Deus, Ele vai nos conduzindo!
"Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim haveis crido." (1 Coríntios 15.10-11).
j) Formação de novos pregadores: que conselhos o senhor daria aos futuros ministros da Palavra (como os seminaristas) para que sejam pregadores fiéis, profundos e frutíferos?
R.: Em primeiro lugar, que procurem criar uma cultura de oração em suas vidas e ministérios! Em segundo lugar, não tentem inventar nada, pois Deus é uma fonte inesgotável e tem sempre resposta para tudo e para todas as coisas! Em terceiro lugar, fujam do pecado para que suas pregações e ministérios não sejam mortos; em quarto lugar, foquem na "alegria do Senhor, que é a nossa força" (Neemias 8:10); em quinto lugar, sejam sempre verdadeiros e autênticos com Deus, com sua família e com a igreja; em sexto lugar, sejam dependentes de Deus e não autossuficientes, pois Deus não trabalha com autossuficiência; em sétimo lugar, ouçam sempre a voz do Espírito Santo, não deixem morrer a voz profética em suas vidas e ministérios... caso já tenha morrido, resgatem-a!
"A voz do Senhor separa as labaredas de fogo" (Salmo 29.7).
Graça e paz!
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